Tubarão: Anatomia de um Predador
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Vida Marina

Tubarão: Anatomia de um Predador

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CDB
11 de abril de 2021 4 min leitura

Ao ouvir a palavra tubarão, surge na nossa mente uma imagem muito específica. Todos já vimos imagens na televisão, muitos já vimos as suas carcaças fora de água e uns poucos afortunados chegámos a vê-los vivos, no seu próprio habitat. Mas apesar de termos uma imagem representativa tão clara, o tubarão continua a ser um animal completamente desconhecido para a maioria de nós.

A primeira coisa que devemos saber é que os tubarões fazem parte do grupo dos "elasmobrânquios" (tubarões, cações e raias) ou "peixes cartilaginosos". Estes diferenciam-se dos peixes ósseos por várias razões:

Em primeiro lugar, porque o seu esqueleto não é formado por ossos, mas por cartilagem. Como os tubarões não têm costelas, possuem músculos muito poderosos firmemente ligados à pele. Estes, em conjunto com a forma fusiforme do seu corpo, conferem-lhes a força característica que lhes permite atingir velocidades tão elevadas nos seus deslocamentos.

Em segundo lugar, porque as suas brânquias formam aberturas e não opérculos. Através delas passa a água que transporta o oxigénio e, por este motivo, os tubarões têm de estar em contínuo movimento para assegurar que a água não deixa de circular pelas suas brânquias e assim evitar morrer asfixiados. No entanto, os cientistas continuam a estudar as possíveis causas que permitem a algumas espécies de tubarões entrar num estado de letargia ou "sono".

Além disso, o seu corpo está coberto de dentículos dérmicos e não de escamas. Ao acariciar suavemente a sua pele da cauda para a cabeça, é possível sentir os minúsculos e ásperos dentes que a cobrem. Esta pele espessa protege-os do ambiente gelado das profundezas. No entanto, embora os tubarões sejam geralmente animais ectotérmicos (de sangue frio), as cinco espécies da família Lamnidae têm a incrível capacidade de adaptar a sua temperatura corporal ao exterior, retendo o calor produzido pelos músculos e elevando assim a sua temperatura até 25 graus acima da água circundante.

Por último, porque não possuem bexiga natatória. Os tubarões controlam a sua flutuabilidade graças ao fígado, que está repleto de óleo de baixa densidade, e à leveza do seu esqueleto cartilagíneo. Algumas espécies de tubarão, como o Tubarão-touro (Carcharias taurus), podem mesmo engolir ar para o estômago para regular a flutuabilidade.

É também necessário saber distinguir um macho de uma fêmea. Não poderia ser mais simples. Os machos possuem dois proeminentes órgãos chamados claspers, que são apêndices das barbatanas pélvicas situados na sua face interior. A inseminação ocorre introduzindo um clasper no orifício da fêmea, com o infeliz nome de "cloaca". Durante a cópula, o macho morde uma barbatana peitoral da fêmea para se agarrar a ela e manter a mesma orientação do clasper dentro da cloaca. Este costuma ser um ato bastante agressivo, após o qual a fêmea fica exausta e coberta de feridas por todo o corpo.

A gestação dos tubarões tem uma duração média de 12 meses, embora em algumas espécies se prolongue até 22 meses. Felizmente, os tubarões nascem completamente desenvolvidos, sendo ao nascer tubarões adultos em miniatura. A reprodução dos tubarões distingue-se em três tipos de desenvolvimento:

Ovíparo: a fêmea, após a fecundação, põe os ovos envoltos numa cápsula que endurece com o contacto da água e cuja forma e cor lhe permitem esconder-se dos predadores, na areia ou entre as algas, agarrando-se através de filamentos.

Ovovivíparo: os ovos incubam e eclodem no abdómen da fêmea, nutrindo-se no interior até serem autónomos. Durante este período, os embriões de algumas espécies sofrem canibalismo intrauterino (os mais fracos serão devorados pelos irmãos antes de nascer).

Vivíparo: este é sem dúvida o método de reprodução mais desenvolvido. Os fetos permanecem ligados diretamente ao organismo materno até ao momento de nascer, tal como ocorre na grande maioria dos animais mais evoluídos (entre os quais o ser humano).

Para terminar, uma última curiosidade sobre os tubarões é que possuem várias dentições ao longo da sua vida. Encravada na gengiva (e não colada à mandíbula), a primeira fila visível de dentes tem atrás dela mais 4 ou 5 filas de dentes preparados para as substituir quando necessário. Assim, quando um tubarão perde um dente — aproximadamente a cada duas semanas nos jovens e a cada dois meses nos adultos — um dente substituto desloca-se para a sua nova posição.

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