10 mitos do mergulho que vais ouvir em qualquer centro do mundo
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10 mitos do mergulho que vais ouvir em qualquer centro do mundo

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CDB
22 de junho de 2026 4 min leitura

O mergulho, como qualquer desporto com tradição, acumula mitos que passam de mergulhador em mergulhador sem qualquer verificação. Alguns são inofensivos, outros são genuinamente perigosos. Esta colecção de 10 mitos comuns desmonta-os um a um à luz das evidências actuais. Útil para principiantes que os ouvem pela primeira vez, e para experientes que talvez ainda os repitam.

Mito 1: «Não mergualhes depois de comer.» Vem da crença popular — sem base científica — de que não se deve nadar logo após uma refeição. Para o mergulho, uma refeição leve 1-2 horas antes não cria qualquer problema. O fluxo sanguíneo redireciona-se para o estômago durante a digestão, o que pode aumentar a fadiga, mas não provoca cãibras mortais como afirma o mito. Realidade: come de forma leve 1-2 horas antes, evita refeições pesadas e mantém-te bem hidratado.

Mito 2: «Se o computador mostrar 5 minutos de NDL, tens 5 minutos de margem de segurança.» Falso. O NDL é o limite calculado pelo modelo, não uma margem de segurança. Cinco minutos de NDL restantes significam que vais atingir esse limite em 5 minutos — não que dispões de 5 minutos extra. A gestão real da segurança passa por subir antes, prolongar a paragem de segurança e evitar esforço no final da imersão. Realidade: trata o NDL como uma contagem decrescente, não como tempo livre.

Mito 3: «As paragens de segurança são opcionais em mergulhos recreativos.» Tecnicamente, dentro dos limites do NDL não há descompressão obrigatória. Ainda assim, as paragens de segurança reduzem significativamente a formação de microbolhas, sobretudo em mergulhadores com factores de risco como PFO, idade ou desidratação. Realidade: a paragem de 3 minutos a 5 m é protocolo de segurança universal no mergulho recreativo. Não é opcional.

Mito 4: «O nitrox permite mergulhar a profundidades maiores.» Falso. O nitrox tem uma MOD inferior à do ar, porque a fracção de oxigénio mais elevada limita a profundidade pelo risco de OxTox. O seu valor real é prolongar o tempo de fundo em mergulhos recreativos dentro dos limites padrão. Realidade: nitrox é para mais tempo, não para mais profundidade. Confundir os dois é o caminho directo para o OxTox.

Mito 5: «Os tubarões são predadores que atacam humanos.» Falso para 99 % das espécies. A maioria dos tubarões evita os humanos; os ataques são raros — 5-10 vítimas mortais por ano em todo o mundo — e quase sempre resultam de uma confusão de presas, dado que a silhueta humana vista de baixo se assemelha a uma presa habitual. Realidade: estatisticamente, as medusas matam mais pessoas por ano do que os tubarões. A cultura do medo criada por Jaws nos anos 70-80 distorceu profundamente a percepção colectiva.

Mito 6: «Se entrar água na máscara, sobe à superfície.» Falso. A técnica de esvaziamento da máscara aprende-se no Open Water e deve ser executada em profundidade. Subir à superfície perante qualquer inconveniente menor é uma reacção de pânico. Realidade: respira pela boca, inclina ligeiramente a cabeça para trás, expira pelo nariz enquanto premes a parte superior da máscara. A máscara esvazia-se em 2-3 segundos sem necessidade de subir.

Mito 7: «Mergulhar com ressaca é arriscado mas ocasionalmente aceitável.» Não é aceitável. O álcool residual desidrata, atrasa o tempo de reacção e combina mal com a pressão hidrostática. Mergulhar com ressaca aumenta significativamente o risco de DCS e compromete o julgamento debaixo de água. Realidade: aguarda pelo menos 8 horas entre o consumo de álcool e o mergulho, idealmente 24 horas. Se bebeste na noite anterior, avalia honestamente o teu estado antes de entrar na água.

Mito 8: «Um mergulhador experiente não precisa de verificar o equipamento do parceiro.» Falso. O controlo de parceiro — BCD, regulador, reserva de ar, lastos, pesos integrados — é universalmente obrigatório independentemente do nível. Erros de equipamento acontecem a mergulhadores com 1.000+ mergulhos. Realidade: 30 segundos de verificação antes de descer evitam problemas que demoram horas a resolver.

Mito 9: «Os mergulhos nocturnos são mais perigosos do que os diurnos.» Parcialmente falso. O mergulho nocturno é diferente, mas não intrinsecamente mais perigoso se for bem planeado. As estatísticas da DAN não mostram uma incidência maior de acidentes nocturnos em comparação com os diurnos. Realidade: com uma preparação sólida — lanternas potentes, briefing claro e equipamento redundante —, o mergulho nocturno é seguro e revela uma face do recife que a luz do dia nunca mostra.

Mito 10 e conclusão: «O mergulho é um desporto radical.» Para alguns mergulhadores técnicos, talvez. Para 95 % dos mergulhadores recreativos, não. Os dados da DAN mostram que as mortes no mergulho recreativo são raras — 1-3 por 100.000 mergulhadores certificados por ano —, comparáveis a actividades consideradas comuns como o ciclismo ou o esqui. Realidade: o mergulho recreativo bem praticado é um desporto de baixo risco. Os mitos do extremismo afastam pessoas que tirariam grande prazer desta actividade. A fórmula real é simples: formação adequada + planeamento + equipamento correcto. O resto é lenda.