A lua cheia iluminava o mar calmo. O Underwater World balançava nas águas tranquilas do Mediterrâneo.
Martín Rivadavia estava sentado em frente ao ecrã do sonar, meio adormecido, com o olhar vidrado nos sinais emitidos por um localizador do fundo do mar. De repente, uma mão pousou no seu ombro; sobressaltado, inclinou a cabeça, descobrindo a sua colega Sandra Soler.
A lua cheia iluminava o mar calmo. O Underwater World balançava nas águas tranquilas do Mediterrâneo.
Martín Rivadavia estava sentado em frente ao ecrã do sonar, meio adormecido, com o olhar vidrado nos sinais emitidos por um localizador do fundo do mar. De repente, uma mão pousou no seu ombro; sobressaltado, inclinou a cabeça, descobrindo a sua colega Sandra Soler.
— Apanhei-te a dormir.
— Nada disso — respondeu, sentando-se direito na cadeira —. Não tiro os olhos do ecrã.
— Alguma novidade?
— Nada, o dispositivo só deteta a presença de detritos e plásticos. O mar é uma enorme lixeira — afirmou Martín, estalando a língua.
— E o que é aquilo? — perguntou Sandra, debruçando-se sobre o ecrã.
— Pelos cravos de Cristo! Que me matem se aquilo não é o casco partido de um navio!
— Vou ligar para o cliente.
Sandra Soler, de trinta e três anos, loira, alta e esbelta, cabelo liso pelos ombros e lindos olhos verdes, correu à procura de Richard Laverton. O enigmático homem albino e de aspeto cadavérico tinha alugado o liveaboard e exigido a presença de dois especialistas em mergulho, tudo isso a troco de uma quantia significativa de dinheiro paga adiantada. Sandra desceu para o convés inferior. Um cheiro forte a água podre cheirava no corredor. Laverton saía naquele momento do seu camarote, vestido como se fosse um pregador do interior da América: fato preto de boa qualidade, camisa branca, gravata preta e chapéu da mesma cor. Sandra deu um sobressalto, assustada, e falou com voz trémula:
— Senhor, encontrámos algo interessante. Talvez seja o barco que procura.
— Finalmente, ao fim de todos estes anos! — exclamou, esfregando as mãos ossudas —. Fiz bem em confiar em vocês.
— Teremos de esperar que amanheça. Nessa altura, eu ou o meu colega vestiremos o equipamento de mergulho e confirmaremos se o que jaz no fundo do mar, a setenta e cinco metros de profundidade, é o navio naufragado.
— É, sem dúvida alguma. É o Tiberius. Afundou-se no ano 1548 arrastando consigo oitocentos marinheiros e militares de uma coligação cristã após uma batalha naval contra piratas turcos. As crónicas contam que no navio viajava o duque Ottavio de Fidenza, um homem acusado de bruxaria e necromancia; segundo as minhas fontes, ele era o encarregue de guardar o Livro Negro, um grimório — livro de conhecimento mágico — escrito no ano 1348 com sangue e encadernado em pele por um monge louco, focado na magia negra e na descrição de exorcismos, embora a sua principal intenção seja ensinar a invocar os seis Espíritos Negros.
— Não me diga que nos contratou para encontrarmos um livro escrito há sete séculos.
— Encontrá-lo e trazê-lo para bordo.
— Não foi isso que combinou com o meu irmão.
— O simpático senhor Soler, proprietário deste fabuloso navio de investigação.
— Pensava que se tratava de fazer uma reportagem fotográfica do navio afundado.
— Esqueça as fotografias. A sua missão consiste em fazer com que o grimório chegue às minhas mãos. Ouça, menina, paguei o dobro do preço da tarifa estipulada pelos vossos serviços, por isso não me venha com queixas.
— Acha que o livro continuará intacto lá em baixo?
— Claro que sim, bem protegido dentro de um cofre de prata.
Sandra ergueu as sobrancelhas em sinal de espanto. Respirou fundo e subiu as escadas para sair para o convés. Precisava de encher os pulmões de ar fresco.
Às sete da manhã, Martín Rivadavia, de t-shirt e chinelos, preparava o equipamento de mergulho. O argentino de Río Grande — província da Terra do Fogo — tinha um físico poderoso aos seus cinquenta anos, barba grisalha e olhos cor de azeviche. Sandra, vestida com um top preto e calções que realçavam a sua esplêndida silhueta, observava atentamente os movimentos do colega enquanto comia uma barra energética.
— Já sei o que estás a pensar, mas vamos fazer o que combinámos: quem desce sou eu — disse Martín.
— Como queiras.
— A sério? Não vais discutir?
— Nem pensar. Diverte-te.
— Sentes-te bem? — Martín olhou-a com estranheza.
— Quase nem dormi, tenho dores de cabeça.
— Eu conheço-te, há algo mais: desenbucha.
— Não gosto daquele homem.
— Vamos lá, Sandra, aquele gajo pagou muito bem ao teu irmão.
— Ele já te explicou o que procura, não já?
— Sim, antes, enquanto tu dormias ou tentavas dormir. O que é que se passa? Eu desço, apanho a porcaria do cofre, se é que está dentro do navio, e volto. Voltamos para Barcelona, o tipo pálido dá-nos uma gorjeta generosa e vamos fazer uma grande festa. Que me caia um raio se este não é um plano fantástico.
Martín, mergulhador técnico capaz de descer a mais de quarenta metros de profundidade, vestiu o fato e as luvas de neoprene e carregou o caro equipamento de mais de sessenta quilos às costas. Um rebreather de circuito fechado permitir-lhe-ia descer até aos setenta e cinco metros. Fez um sinal de “ok” e submergiu. Sabia que em apenas cinco minutos chegaria ao navio, mas a subida ia parecer uma eternidade: duas horas para que a compensação da pressão fosse gradual. Veio-lhe à memória a sua primeira imersão, de trinta minutos, no mar Vermelho. Lembrou-se da sensação totalmente nova de respirar pelo regulador, o som das bolhas. E a paz, a sensação de calma. Viu-se a descer a vinte metros, a observar peixes de cores incríveis, raias pintadas e uma grande variedade de corais. Trinta e dois anos depois, era um especialista, um profissional conceituado, mas continuava a desfrutar do mergulho como no primeiro dia.
Mergulhado no fundo do mar Mediterrâneo jazia o Tiberius, de sessenta metros de comprimento. A popa estava intacta; a proa tinha desaparecido. Por entre as tábuas de madeira sobressaíam os canhões. Martín pensou ter recuado quinhentos anos no tempo. Com pele de galinha, e não propriamente devido ao frio, pegou na faca que levava no cinto para abrir caminho através das redes de pesca emaranhadas.
Entretanto, no Underwater World, um monitor mostrava a posição exata de Martín. Na imagem de cor esverdeada, via-se o interior do barco.
— O que é aquilo? — gritou Sandra, levantando-se da cadeira para se aproximar ainda mais do ecrã. Eram dois esqueletos, abraçados, presos num aglomerado de algas e outros restos de ossos.
— O seu colega está com problemas? — perguntou Laverton sem se alterar, a fumar um cigarro com alguma relutância. Tinha manchas amarelas de nicotina nas unhas e nos dedos.
— Pode fazer o favor de deixar de fumar? Não é permitido fumar no barco, já devia saber!
Laverton exalou uma nuvem de fumo e desatou a rir.
— Desculpe, menina. — Apagou o cigarro e aproximou-se. Olhou para o monitor com os seus olhos de rato —. Diga-lhe para pegar no cofre e para subir depressa.
— Ainda tem vinte e cinco minutos.
— Por favor. Se aprecia o seu colega, diga-lhe para se despachar.
O hálito do homem fedia, como fruta podre. Sandra fez uma careta de nojo e ligou o comunicador subaquático.
— Martín! Despacha-te!
A voz de Sandra soou de forma estrondosa na máscara. Martín não respondeu, pois já tinha trabalho suficiente para desviar-se dos esqueletos que baloiçavam de forma assustadora à sua volta. Um peixe de presas afiadas que nunca tinha visto na vida passou por ele de raspão. «O cofre… onde está o cofre?», interrogava-se, ao iluminar com a lanterna, acoplada na máscara, uma das cobertas para poder entrar dentro dela. Tinha a sensação de estar a penetrar no ventre de um monstro marinho.
— Ali! Está mesmo debaixo do seu nariz! O livro! — gritou Laverton, espetando a unha afiada do dedo mindinho no ecrã.
— Afaste-se, não vejo nada.
— Diga-lhe para o apanhar! Já!
— Chegue-se para o lado, por tudo o que lhe é mais sagrado!
Laverton obedeceu e começou a procurar a cigarreira de ouro que escondia no bolso interior do seu casaco. Tirou um cigarro e acendeu-o.
— Martín! Estás a ouvir-me? Martín!
O ecrã piscou e ficou preto; depois, perdeu-se o sinal de imagem do monitor. Sandra, desesperada, pensou vestir o fato de mergulho e descer, mas era uma loucura: sem o equipamento adequado, não poderia descer para além dos quarenta metros. Faltava esperar. Duas horas, duas intermináveis horas.
— Martín, não consigo ver-te. Se me estás a ouvir, sobe o mais depressa que puderes. Boa sorte.
— Ele vai precisar disso — disse Laverton com o cigarro na boca. Um fio de baba amarela escorreu por todo o seu queixo.
Sandra desviou a face, repugnada.
A setenta metros de profundidade, Martín arriscando a vida, carregava o pesado cofre. Repetia para si mesmo, como num mantra, que devia vir à superfície. «Para cima!», dizia repetidamente a si próprio, lutando contra uma força invísivel que parecia detê-lo.
No barco de investigação, Sandra olhava preocupada para as nuvens tão negras quanto o carvão que num ápice tinham fechado todo o céu. Soprava um grande vendaval. O mar estava indomável.
— Eu já previa isto — proferiu Laverton, numa voz de caverna.
— Ao que se refere? — interrogou Sandra.
— Não entenderia, mesmo que eu lhe explicasse, as mudanças climatéricas não são eventuais.
O barco contrapôs-se contra o vento, abanando sem limites. Um raio cortou as nuvens e o estrondo ensurdecedor de um trovão fêdeia por de cima de todas as cabeças contituentes da equipa. A inclinação do Underwater World não pressagiava um bom desfecho após ter enfrentado todo aquele temporal.
— Não resistiremos! — desbafou Sandra, circulando de uma extrema a outra do comando do barco.
— Iremos resistir, menina. Não me ralo com isso, quero ir daqui embora na posse do grimório.
— O Sr. e a gaita daquele livro! Vai-nos custar a vida a todos!
— Quem está a interpor-se para que o negro livro venha acima de toda aquela água, tem sem dúvida um enorme poder, todavia depara-se diante ele, uma força colossal da dimensão dos super-poderes que possui. Aliás o Mal vence seja quem for! — Os finos lábios de Laverton esbanjavam um maquiavélico sorriso.
— Tenho a certeza que está louco — deduziu Sandra, fechando o poncho impermeável de forro polar contra o vento até ficar apenas com a cara visível.
— Aonde vai?
— Suporto de livre vontade os ventos gélidos da pior que de tê-lo próximo.
No entrementes de hora a menos e hora a mais decorrida, Martín rompeu de de o forte ondular que abalava todo aquele percurso. Sandra ajudou de imediato Martín que a sair pela área da respectiva popa para subir todo o equipamento necessário.
— O cofre! — expressou bem alto Laverton, conseguindo que a sua voz prevalecesse em detrimento aos intensos trovões e às imensas ondas que pareciam não querer acalmar jamais.
Martín, com um movimento da mão estendida, prontificou-se a entrengá-lo, mas uma ondulação inultrapassádel abalraou em grande força o barco. O primeiro perdeu totalmente a sua postura deixando-se cair para além do conveś, ficando por via disso do dito cujo no mar.
— Isso não! — explodiu abrutamente Laverton, com os olhos vidrados como num autêntico pesadelo com a expressão de que iria perder os próprios globos oculares.
Antes que o braço de Sandra se entrelaçasse o homem deitou-se para mar dentro, extinguindo-se perante os tristes olhares de ambos. Com a sobrolho coberta de sangue derivava de a ter partido, encostou o esqueleto em terra.
— Temos de ir em busca daquele tresloucado — disse ao encontrar no barco de salvamento uma forma de o salvar da terrível impetuosidade com a qual foi atingido.
— Esfarrapas-tes das túas idieas?— prendeu-o de forma rígida ao corpo Sandra—. Não nos é possível auxiliá-lo, faleceu com o incalculável baloiçar dos mares! Os ventos fazem saltitar a água como nunca dantes eu tenha visto é uma agitação constante para com os nossos rostos e olhos!
Com uma vontade de chorar irremediável na tentativa de não mais chorar e se agarrar por entre percalços aos movimentos e os próprios desígnios que a impediam por parte dele.
— Caramba, por pelo manos uma única uma vez atenta ao que refiro!
— Com ele…, não tem volta a dar se… — Martín sentiu uma subido dor de aperto de forma descontrolada na parte dianteira do tórax e toda aquela nubulosidade que não se sentia já passadoum tempo a não passar com aquele ambiente. Fomos lá pa dentro — argumentou o argentino—. Logo na partida após chegar aquele destino vai ouvir bastante acerca deste assunto. Com que intuídas ideias o irmão teve para poder englobar aquela figura doida varrida da cabeça!
— Não te preucopes que de mim não escapará assim tão sem o menos, ter-lhe-à de as custar — interveio em concordância a espanhola.
Foi assim tão assombrosamente por parte da grande tempestade se ver envolvida pela luzes das estrelas o dia já passava a encarecelar mais uma estalida de tempo percorrido. No repasto ao final do dia Martín pernanencendo naquele assento a olhar como estava límpido a parte dianteira por detrás da onde o horizonte era um marco em relação a tal assustador momento. Chamando-na perante a parte gaviota que em todo o panorama da beira-costa a atenção a que ele não tinha verificado que no momento parecida e assemelhada a água. Ao que atirou para apanhar uns visões mais ao perto onde algo pairava por detrás não mais ali estendendo sobre as ondas.
— O que poderá ser isto que se asseenham de tal forma macraba a esta distância de mim? — perguntal inquerindo aos do céu, a si o e o eco para o lado
Pode ver a forma cadavéria por alto num só olhar do desfalecer do abdómen à tona do insuflado das parte humanas e o peito e do qual o cofre mantinha uma luz sem igual.
— Imposivel uma coisa daquelas. — Descido por breves instantes não olhava, fixando toda essa sua direcção de encontro. Por entre olhados fugidões sem sentido para aquele mesmo lado a sua forma carnal desvenceu para longe todo aquele esplendor não existindo nem visos daquela demente atitude e desfeixo sem razão.
Daquele sítio sem tempo nem conta nem horas os ruídos sobrevoavam à passagem Underwater World por intermédio dos risota abismal num escarro para nada.
Jaume Ballester. 2020.
Fundo de informação geral acerca da biografia elaborada
Natural de em plena zona balnear , em redor da cidade costeira com maior referência cultural no que em Barcelona é visado (em espanha província Badolna) Jaume Ballester que teve a nascer há cerca de quarenta anos e a meio na idade que possuí com um largo percurso a escrita a partir da pouca altura onde o homem começava de dez livros por altura sem haver tido edição em lado nenhum. Que se previ desde na altura do ano a decorrer no inicio como um sucesso à priori Paro basear-se nos parados. Na parte sem anos mais antes havia um número da edições sobre rapazes. El niño rata y otros cuentos macabros de a de modo muito próprio e característio de ele assim de ele.
www.jaumeballester.blogspot.com

