Edema pulmonar por imersão: o risco do frio que poucos mencionam
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Salud

Edema pulmonar por imersão: o risco do frio que poucos mencionam

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CDB
5 de outubro de 2026 3 min leitura

O SIPE (Swimming-Induced Pulmonary Edema) é uma complicação pouco conhecida, mas potencialmente fatal, do mergulho. Surge com mais frequência em águas frias, em mergulhadores com mais de 50 anos e durante esforços intensos. Os seus sintomas são facilmente confundidos com cansaço ou água engolida. Reconhecê-lo a tempo pode ser a diferença entre uma recuperação completa e um dano cardíaco permanente.

O SIPE é o acúmulo agudo de líquido nos alvéolos pulmonares, resultado da combinação entre pressão hidrostática da água, frio e esforço físico. O mecanismo é claro: a pressão da água direciona o sangue para o tórax (centralização), aumentando a pressão nos capilares pulmonares. Quando o coração não consegue gerir essa carga com eficiência, o plasma extravasa para os alvéolos. O resultado é edema pulmonar, dispneia progressiva e risco de vida.

Fatores de risco: 1) Idade superior a 50 anos (hipertensão latente ou função cardíaca reduzida). 2) Águas frias abaixo de 14 °C (vasoconstrição periférica intensa). 3) Esforço físico elevado: nadar contra a corrente, equipamento pesado, flutuabilidade mal controlada. 4) Sobre-hidratação antes do mergulho (volume sanguíneo aumentado). 5) Hipertensão não diagnosticada. 6) Apneia prévia ou mergulho em apneia intenso. Em águas frias com esforço combinado, a incidência pode atingir 1-2 % — muito acima do que a maioria dos mergulhadores imagina.

Sintomas por ordem de aparecimento: 1) Tosse seca persistente debaixo de água ou assim que se emerge. 2) Sensação de afogamento apesar de o regulador funcionar normalmente. 3) Espuma rosa ao tossir — o sinal clássico de líquido nos alvéolos. 4) Dispneia ao esforço, como dificuldade em subir para o barco. 5) Gorgolejo audível a cada respiração. 6) Em casos graves: palidez ou cianose (pele azulada), perda de consciência.

Confusão frequente: muitos mergulhadores atribuem a tosse e a dispneia pós-mergulho a água engolida, cansaço ou enjoo de mar. Isso retarda perigosamente o diagnóstico. A diferença fundamental é o tempo: água engolida resolve-se em 5-10 minutos; o SIPE agrava-se ou persiste. Se após 30 minutos à superfície a tosse e a dificuldade respiratória se mantiverem, não se trata de água engolida — é uma emergência médica.

Ações imediatas perante suspeita de SIPE: 1) Interromper imediatamente os mergulhos. 2) Sentar com o tronco ereto e o peito elevado — nunca deitar. 3) Oxigénio a 100 % por máscara. 4) Ligar imediatamente para os serviços de emergência (112 na Europa, 911 nos EUA). 5) Ir a um hospital com serviço de cardiologia, não a uma clínica de mergulho — o tratamento centra-se na estabilização cardíaca, não na recompressão. 6) Sem voos até avaliação médica completa, no mínimo 7-14 dias.

No hospital serão realizados um ECG, um ecocardiograma para avaliar a função cardíaca, análises ao sangue (BNP elevado indica insuficiência cardíaca) e uma radiografia torácica que evidenciará o edema pulmonar. Tratamento: oxigénio, diuréticos para eliminar o líquido em excesso e monitorização cardíaca contínua. A maioria dos casos resolve-se em 12-48 horas com tratamento adequado. Sem intervenção, o SIPE pode progredir para insuficiência respiratória.

Prevenção: 1) Avaliação cardiológica anual a partir dos 45-50 anos, sobretudo com fatores de risco (hipertensão, tabagismo, excesso de peso). 2) Evitar a desidratação antes do mergulho, mas sem sobre-hidratar — a ingestão hídrica normal é suficiente. 3) Lastro correto — o esforço desnecessário é um desencadeante consistente. 4) Aclimatação gradual ao frio. 5) Não mergulhar com constipação ou infeção respiratória. 6) Após um episódio de SIPE, evitar regressar às mesmas condições: frio combinado com esforço intenso.

Em resumo: o SIPE é uma complicação real e subdiagnosticada, especialmente em mergulhadores mais velhos em águas frias. O seu sinal mais característico é a espuma rosa ao tossir. Perante esses sintomas, ligue para os serviços de emergência sem demora. Em termos de prevenção: rastreio cardiológico preventivo, hidratação adequada, evitar esforços extremos e reconhecer os próprios limites em água fria. Identificar o SIPE ainda no barco, e não duas horas depois na urgência, pode ser a diferença entre uma recuperação total e um dano cardíaco irreversível.