Uma em cada quatro pessoas tem um foramen oval patente — uma pequena abertura entre os dois átrios do coração que a maioria dos portadores nunca detecta. Para um mergulhador, essa abertura pode ser a diferença entre um mergulho sem incidentes e um acidente de descompressão inexplicável. A questão não é se todos devem fazer o teste, mas quem especificamente deve fazê-lo.
O foramen oval é uma abertura presente em todos os fetos. Permite que o sangue contorne os pulmões — que ainda não funcionam — e chegue diretamente ao cérebro. Ao nascer, com a primeira respiração, a mudança de pressão fecha essa abertura em horas ou dias. Em 75 % das pessoas ela fecha completamente. Nos restantes 25 % permanece aberta: foramen oval patente, ou FOP.
Em terra, um FOP é totalmente irrelevante. A pressão no átrio esquerdo supera a do átrio direito, de modo que nenhum sangue venoso passa para o lado arterial. As pessoas vivem oitenta anos com um FOP sem nunca o perceberem. O problema surge sob pressão: microbolas de nitrogênio dissolvidas no sangue venoso podem cruzar a abertura e entrar na circulação arterial sem passar pelo filtro pulmonar. Isso causa DD sistêmica — cérebro, medula espinal, articulações.
Os dados são claros. Estudos em mergulhadores com DD inexplicável — perfis dentro dos limites NDL, sem fatores de risco aparentes — encontram FOP em 60 a 80 % dos casos. Na população geral a taxa é de 25 %. Essa correlação é difícil de ignorar. Quando um mergulhador desenvolve DD sem razão aparente, o ecocardiograma com contraste é hoje o primeiro exame solicitado para pesquisar FOP.
Uma distinção importante: ter FOP não significa que se vai ter DD. A grande maioria dos mergulhadores com FOP passa a vida inteira debaixo d'água sem um único incidente. O FOP eleva o risco, mas não o torna inevitável. A probabilidade anual de DD num mergulhador com FOP grande e sem precauções é de aproximadamente 0,5 %; sem FOP é de 0,05–0,1 %. Uma diferença de cinco a dez vezes, não de cem.
Quem deve fazer o teste? As recomendações atuais da SPMS e DAN: quem teve um episódio de DD inexplicável, quem sofre de enxaquecas com aura (associadas ao FOP), mergulhadores tek que planeiam mergulhos em trimix, e opcionalmente qualquer mergulhador que queira saber. O exame padrão é o ecocardiograma com contraste transtorácico com soro salino agitado — barato e não invasivo.
Se for detectado um FOP grande, há três caminhos. Primeiro: mergulhar de forma mais conservadora — NDL a 50 %, paragem de segurança prolongada, sem esforço intenso, evitar frio extremo. Segundo: fechar o FOP com um dispositivo intervencionista, um procedimento ambulatório de cerca de 30 minutos já de rotina em cardiologia. Terceiro: abandonar o mergulho, opção que quase ninguém escolhe. O encerramento é geralmente recomendado para os mergulhadores tek com FOP grande.
Ignorar o diagnóstico é a única opção a evitar. Conheço um mergulhador — médico de profissão — que teve dois episódios leves de DD antes que alguém pensasse em procurar um FOP. Carrega hoje sequelas neurológicas leves que um exame de 200 euros e 20 minutos teria podido prevenir. A medicina desportiva do mergulho avançou muito nos últimos 15 anos; esse avanço só é útil se for aproveitado.
A conclusão sem filtros: o FOP não é razão para parar de mergulhar, mas é razão para se informar. Se realizou mais de 50 mergulhos sérios e nunca fez uma avaliação médica adequada para mergulho, vale a pena consultar um especialista em medicina hiperbárica — não porque um problema seja provável, mas porque uma hora de exames fornece informações valiosas para os próximos 30 anos de mergulhos.

