A reserva marinha das Islas Medas é um dos melhores argumentos para uma viagem à Costa Brava. Mas a janela em que o destino realmente brilha é curta: setembro. Antes há demasiados turistas, depois o frio instala-se rapidamente. Pelo meio, duas ou três semanas em que a água ainda está quente, as garoupas-castanhas saem das grutas e os mergulhadores mais exigentes reservam os seus lugares com antecedência.
As Islas Medas são sete ilhéus rochosos em frente a L'Estartit, declarados reserva marinha integral em 1990. Mais de 30 anos sem pesca no interior do perímetro — e a diferença relativamente ao resto do Mediterrâneo nota-se nos primeiros cinco minutos do primeiro mergulho. Uma densidade de fauna comparável à que existia noutros locais há meio século. É, por consenso alargado, a melhor reserva marinha do Mediterrâneo ocidental.
Porque setembro. Em julho e agosto a água está quente — 24–25 °C — mas há tantos mergulhadores que descer parece estar numa fila submarina. Em outubro a termoclina cai para 14 °C em poucos dias e a fauna desaparece. Setembro é o ponto de equilíbrio: superfície ainda a 22–23 °C, cerca de 20 °C no fundo, visibilidade habitual de 15–25 m, e os centros com lugares disponíveis porque o turismo familiar já regressou a casa.
A garoupa-castanha (*Epinephelus marginatus*) é a estrela. Nas Medas foram contabilizados mais de 1.000 exemplares, alguns a ultrapassar os 30 kg. Um mergulho em La Vaca ou no Tasco Petit, entre 18 e 22 m, torna o encontro quase inevitável. Os grandes machos territoriais não recuam: aproximam-se a poucos centímetros e às vezes parecem posar. Quem mergulhou apenas fora de reservas marinhas sente o contraste de imediato — aqui os peixes não fogem.
Cinco sítios concentram a maior parte do tráfego. La Vaca e La Vaca Gegant: paredes com grutas e garoupas de grandes dimensões. El Reconcó: ideal para iniciantes, com fauna abundante sobre areia e pradarias de posidónia. La Cova de la Vaca: uma gruta de passagem a 16 m com luz zenital notável. Tasco Gros: uma plataforma com corvinas de bom tamanho. Os centros distribuem os lugares por nível de certificação; quem tem experiência deve pedir La Vaca directamente.
A logística tem peso: as Medas têm uma quota diária. A Generalitat de Catalunya limita o acesso a 450 mergulhadores por dia em época alta, distribuídos por três centros principais em L'Estartit. Reservar com duas a três semanas de antecedência em setembro é o mínimo razoável. Os mergulhos guiados com equipamento custam cerca de 50–65 €, com pacotes de quatro mergulhos em dois dias à volta dos 200 €.
O que quase nenhum relato menciona: as Medas também podem ter fraca visibilidade. Após uma tramuntana forte ou chuvas prolongadas, os sedimentos da foz do Ter — a apenas 3 km — turvam a água. Desce-se a 18 m com 5 m de visibilidade e a magia desaparece. Consultar a previsão meteorológica antes de partir evita desilusões. O ideal são três dias consecutivos de vento do sul ou bonança.
Para mergulhadores que vêm de fora: não fiquem em L'Estartit. La Bisbal d'Empordà, a 15 minutos, ou Pals, a 20, são aldeias medievais deslumbrantes com restaurantes melhores a metade do preço. L'Estartit é uma estância de turismo familiar dos anos 80, funcional mas sem grande encanto. Os centros de mergulho estão lá, por isso vai-se mergulhar e regressa-se.
Depois de oito viagens às Medas, a conclusão mantém-se: para três dias de setembro no Mediterrâneo espanhol, é aqui. Cabo de Palos compete, as Columbretes oferecem mais fauna pelágica, mas as Medas com boa temperatura e boa visibilidade não têm igual. Diversidade de sítios, acessibilidade, infraestrutura sólida — e garoupas-castanhas que se aproximam por iniciativa própria.

