O balanço de brancos automático das câmeras subaquáticas falha a partir de 5-10 m de profundidade. Sem correção, os vermelhos desaparecem e tudo fica azul-esverdeado. A técnica da ardósia branca para custom white balance é o método mais fiável e barato de recuperar cores precisas em foto e vídeo subaquáticos sem flash.
A água absorve a luz de forma seletiva. Os vermelhos desaparecem primeiro — já aos 3-5 m —, depois os laranjas entre 5-10 m, os amarelos a 10-15 m e os verdes por volta dos 25 m. Uma fotografia tirada a 20 m sem correção mostra sujeitos planos, azul-esverdeados e sem contraste. O balanço de brancos automático da câmera não consegue compensar isso: está calibrado para a luz seca de superfície, não para uma coluna de água que filtra cada comprimento de onda acima de nós.
A solução técnica é o balanço de brancos manual com referência física. A câmera precisa de um objeto branco — ou cinza neutro — na profundidade exata e na luz ambiente em que se irá fotografar. Ao indicar à câmera que esse objeto é o branco de referência, todas as outras cores do enquadramento se alinham corretamente. Os fotógrafos profissionais em terra usam o mesmo princípio; debaixo de água torna-se simplesmente indispensável.
A ardósia branca: qualquer tabuleta de mergulho em plástico branco funciona. O tamanho 15×20 cm é o mais prático. O custo fica entre 15-25 €, muito menos do que filtros vermelhos ou flashes. A cada mudança de profundidade significativa — 10 m, 18 m, 25 m — para-se, retira-se a ardósia, preenche-se o visor com ela e ativa-se a função de custom white balance da câmera.
Passo a passo: 1) Chegue à profundidade onde irá fotografar. 2) Coloque a ardósia branca a 30-50 cm da objetiva. 3) Certifique-se de que ocupa pelo menos 70 % do enquadramento. 4) Ative o modo de balanço de brancos personalizado conforme a marca: Sony 'Custom WB', Nikon 'Preset Manual', Canon 'Custom WB'. 5) Dispare ou prima OK segundo o procedimento do seu modelo. 6) Confirme que a câmera aceitou a nova configuração. 7) Verifique no ecrã que a ardósia aparece branca, e não azul.
Limitações a ter em conta: 1) Qualquer mudança significativa de profundidade exige recalibração. Se descer de 18 m para 30 m, recalibre. 2) Em águas muito turvas a correção é imperfeita porque a luz ambiente já tem uma dominante verde-acastanhada. 3) Com flash, o balanço de brancos manual é desnecessário: o flash emite luz branca de espectro completo. A ardósia destina-se exclusivamente à luz natural. 4) Em vídeo, a calibração é crítica porque a margem de pós-processamento é mais limitada do que em fotografia.
A alternativa é o filtro vermelho: um filtro físico sobre a objetiva que reintroduz o vermelho passivamente. É menos preciso do que a ardósia branca porque a correção é estática e não se adapta às variações de profundidade. Para vídeo casual, filtro vermelho mais custom white balance dá resultados aceitáveis. Para fotografia a sério, o custom white balance é claramente superior.
O que raramente se diz: mesmo com um balanço de brancos perfeito, a luz ambiente natural além dos 25 m é simplesmente escassa. Para imagens subaquáticas verdadeiramente saturadas, um flash ou uma luz de vídeo acaba por ser necessário. A ardósia extrai o melhor da luz disponível — não cria luz onde ela não existe. O que se ganha é precisão cromática, não luminosidade.
Em síntese: a técnica da ardósia branca é o investimento mais rentável na fotografia subaquática com luz natural. Por 15-25 € obtém-se uma correção de cor que muitos mergulhadores tentam resolver com filtros caros ou flashes complicados. É especialmente eficaz em águas limpas — Caraíbas, Mediterrâneo, Indo-Pacífico — onde a visibilidade permite trabalhar com luz ambiente a 20-30 m. Para macro ou grande-angular em recifes a profundidade média, custom white balance com ardósia é a base; o flash vem depois como complemento, não como substituto.

