Narcose de azoto: sintomas, causas e como agir debaixo de água
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Narcose de azoto: sintomas, causas e como agir debaixo de água

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18 de agosto de 2026 2 min leitura

A narcose de azoto pode aparecer a partir dos 30 metros. Conheça a teoria Meyer-Overton, por que o hélio não produz narcose e como agir.

Jacques Cousteau chamou-lhe o êxtase das profundezas, e a descrição não é exagerada. A narcose de azoto é um estado alterado de consciência produzido pelo efeito do azoto a alta pressão sobre o sistema nervoso central. Entender o que é, por que ocorre e como geri-la é parte essencial da formação de qualquer mergulhador.

Os primeiros sintomas podem aparecer a partir dos 30 metros, embora a profundidade varie consideravelmente entre indivíduos. Esta variabilidade individual é precisamente um dos factores que tornam a narcose perigosa: não existe uma profundidade universal de segurança.

A explicação científica mais aceite é a teoria de Meyer-Overton: existe correlação directa entre a solubilidade de um gás nos lípidos e o seu potencial narcótico. O azoto tem solubilidade lipídica suficiente para alterar o funcionamento neuronal às pressões atingidas em mergulhadas recreativas profundas.

O hélio, utilizado em trimix ou heliox, tem solubilidade lipídica muito menor e praticamente não produz narcose. Por isso os mergulhadores técnicos que descem a 60 ou mais metros utilizam misturas com hélio.

Factores que potenciam a narcose: frio, fadiga física e mental, álcool nas horas anteriores, ansiedade e stress. Um mergulhador descansado, bem hidratado e sem álcool terá consistentemente menos problemas.

Os sintomas incluem euforia enganosa, desorientação, dificuldade em ler instrumentos, confusão sobre a direcção da ascensão e deterioração cognitiva. Em casos severos pode haver alucinações ou decisões completamente irracionais.

A narcose é completamente reversível: ascender alguns metros faz com que os sintomas desapareçam em segundos ou minutos. Não existe antídoto nem tratamento especial necessário. Mas os erros cometidos enquanto se estava narcotizado podem ter consequências permanentes.

A melhor estratégia é prevenção e comunicação: combinar sinais de controlo mútuo com o companheiro antes de mergulhadas profundas. Se se detectarem sintomas, sinalizá-los e ascender juntos. Nunca ignorar os sintomas nem tentar aguentar.

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