A vertigem alternobárica é um daqueles sustos que muda para sempre como você desce. Acontece quando um ouvido faz a compensação e o outro fica para trás, e a diferença de pressão entre os labirintos faz com que o cérebro receba dois sinais contraditórios. O resultado é náusea, desorientação e, pior, uma vontade urgente de subir rápido — exatamente o que não se deve fazer.
Aconteceu no Cabo de Gata, em junho, água a 19 °C, descida pela linha até 18 m. Descia normalmente, compensando a cada metro como sempre. Aos 14 m percebi que o ouvido esquerdo não estava acompanhando bem, mas continuei mais um metro achando que se resolveria. Erro. Quando o esquerdo cedeu de uma vez aos 15 m, o cérebro recebeu um estímulo violento de um lado enquanto o outro estava estável. O mundo virou do avesso. A linha de descida parecia horizontal. As bolhas iam para o lado.
O que aconteceu fisiologicamente é o seguinte: o sistema vestibular usa dois labirintos, um por ouvido, para fornecer ao cérebro informações de orientação. Quando os dois estão na mesma pressão interna, tudo vai bem. Quando um tem a compensação atrasada e o outro está em dia, o cérebro detecta uma assimetria brutal e a interpreta como movimento. Daí vêm a vertigem e a vontade de vomitar debaixo d'água — um dos cenários menos agradáveis do mergulho.
As causas habituais são três: um ouvido com um resfriado ou congestão leve não detectada; uma técnica de compensação assimétrica, em que o mergulhador só compensa bem de um lado; e descidas rápidas demais sem dar tempo para que ambos os ouvidos se equilibrem. A maioria dos casos se evita compensando antes de sentir desconforto, não depois.
O protocolo se isso acontecer: se agarrar a algo que não se mova — a linha, o fundo, o companheiro —, fechar os olhos por um momento, respirar devagar e subir 1 a 2 m até que o ouvido atrasado libere a pressão. Geralmente basta para que a vertigem desapareça em 30 a 60 segundos. O importante é não subir abruptamente à superfície, porque a mudança brusca de pressão pode agravar e ainda expõe a outros problemas.
O pior da vertigem alternobárica é que rompe o acordo entre o que se vê e o que se sente. Os olhos dizem que você está vertical na água. O ouvido interno diz que está girando como um pião. Esse conflito sensorial é o que provoca a náusea, não a pressão em si. Se fechar os olhos e se concentrar em respirar, retira uma entrada do cérebro e ele se acalma mais rápido.
Após o incidente, a mergulhada termina na superfície — nada de continuar descendo mesmo que se sinta bem depois. O ouvido já está irritado, e forçar novamente a compensação na mesma imersão é como apertar uma ferida aberta. Costuma deixar o ouvido sensível por 24 a 48 horas; nesse período, não mergulhar. Se durar mais, consultar o otorrino.
Uma prática preventiva que funciona: compensar suavemente na superfície antes de entrar na água para ter os dois ouvidos desobstruídos desde o início. E compensar a cada 30 a 50 cm nos primeiros 6 m, não a cada metro. Os primeiros metros são onde mais assimetrias aparecem porque a pressão muda mais rapidamente em percentagem. Uma vez passados os 10 m, pode-se espaçar a frequência das compensações.
Minha regra pessoal depois daquele susto: se um ouvido demora mais de duas tentativas suaves para compensar, não forço. Subo meio metro, tento de novo, e se não ceder na terceira tentativa, abandono o mergulho. Escrito assim parece exagerado, mas no dia em que se vive uma vertigem alternobárica entende-se que um ouvido rebelde é razão suficiente para não insistir. O ponto de mergulho não vai a lugar nenhum — você volta amanhã.

